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Artigos sobre a Raça - Dogue Alemão
Dicas
Adicionar ou não cálcio à alimentação, eis outra questão que tira o sono de proprietários de Dogues. As opiniões divergem um pouco, mas de modo geral não se aconselha ninguém a dar cálcio sem um cuidadoso acompanhamento veterinário. "Está mais do que provado que o cálcio só deve ser prescrito por um veterinário, em casos esporádicos", assegura Freda Lewis, secretária do clube inglês. Para confirmar essa informação e acabar com as dúvidas, Cães & Cia recorreu ao veterinário norte-americano Lemmart Krook, um dos maiores especialistas em distúrbios nutricionais, e professor da Universidade de Cornell, em Nova York - escola de Medicina Veterinária das mais conceituadas no mundo. Krook realizou um estudo há vinte anos sobre a relação entre o cálcio e o crescimento do Dogue Alemão, e continua acompanhando a evolução das rações e dos cães.
Para ele, desde que o cão seja saudável e alimentado com um boa ração não há mesmo necessidade de cálcio adicional. "Posso garantir que as boas rações respeitam a proporção ideal entre cálcio e fósforo (1,2 partes para 1,0), que é fundamental para a boa absorção desse nutriente pelo organismo do cão", afirma. Ele aconselha que os proprietários verifiquem essa informação no rótulo das embalagens. "Além de respeitar a proporção correta, cada quilo de ração deve ter entre 6 e 10 gramas de cálcio", completa.
Ele adverte, ainda, para o risco de exagerar a dose. "Quando a quantidade de cálcio no corpo é muito grande, o organismo acaba bloqueando a absorção e eliminando todo o cálcio ingerido", revela. Depoimentos de criadores, confirmam a afirmação. "Já fiz experiências particulares com meus cães e concluí que suplementar uma boa ração com cálcio prejudica a absorção desse nutriente, provocando problemas ósseos", avisa Lello. "Quando uma linhagem é boa, o cão terá naturalmente uma boa estrutura", diz Eliete. Lello concorda: para ele, a suplementação de cálcio não é importante para determinar o crescimento nem o tamanho final do cachorro.
Mas nem só de cálcio vive o Dogue Alemão. Veterinários muito acostumados com a raça, ouvidos por Cães & Cia, apontam alguns problemas mais comuns e dão dicas de como evitá-los. Acompanhe:
Torção gástrica - É um dos males que podem afligir o Dogue. Caracteriza-se pela rotação do estômago sobre o seu eixo quando há um grande aumento do seu volume. O cão fica ofegante, com muitos gases, estufa rapidamente e pode morrer em poucas horas. A saída é fracionar preventivamente a alimentação oferecendo pequenas refeições ao longo do dia, e impedindo que beba água em seguida. Quando o problema acontece, o socorro deve ser imediato, pois apenas uma cirurgia de emergência pode salvar o cão.
Megaesôfago - É provocado pelos movimentos lentos demais que empurram a comida do esôfago para o estômago. Os alimentos se acumulam no esôfago e provocam a dilatação do órgão. Possivelmente, é de origem hereditária. O cão regurgita com freqüência, apresenta nítido desconforto após as refeições, perde peso e está sempre com fome , podendo até morrer por inanição e pneumonia. O alimento expelido geralmente não está digerido e é recoberto por muco. Em filhotes até cinco meses, a indicação é servir pequenas porções de comida várias vezes ao dia e colocar o prato em lugares altos para que o alimento "desça" para o estômago com a ajuda da ação da gravidade. Com o tempo, os músculos do esôfago se fortalecem e o cão pode sobreviver. As chances de cura para os adultos são mais remotas. É importante não acasalar cães que apresentem o problema.
Higromas - O peso excessivo de um Dogue pode fazer com que apareçam bolsas flácidas e inflamação nas articulações do cotovelo, principalmente se o cão se deita sobre superfícies muito duras, que atritam os ossos. Para evitar a ocorrência, impeça-o de engordar e faça a cama com uma estrutura metálica elevada 15 centímetros do chão. A parte onde o cão dorme deve ter apenas uma lona esticada (bem amarrada à estrutura), sem nada por baixo para não machucá-lo. O veterinário pode indicar um antiinflamatório e retirar o líquido da região inflamada com uma microcirurgia simples, quando necessário.
Calos - Bastante comuns entre os exemplares da raça, os calos são uma proteção das articulações ao atrito, provocado principalmente pelos pisos de cimento. Ocorrem devido ao grande peso dos Dogues - portanto, obesidade pode agravar o problema. Evite deixar o cão dormir em camas duras. Se a calosidade inflamar, é preciso recorrer à medicação. Pode ser curada passando antiinflamatório.
Osteodistrofia hipertrófica - As causas não estão totalmente esclarecidas, mas o mal tem uma relação com o excesso de cálcio e aparece principalmente em exemplares em fase de crescimento. O cão perde o apetite, tem febre alta, inchaço nas articulações e dificuldade de locomoção a ponto de ficar muito tempo sentado e deitado e chega a gritar de dor. A prevenção se faz oferecendo apenas ração de boa qualidade. Para curar usam-se antiinflamatórios e correção da alimentação.
Dermatite - O tipo mais registrado no Dogue é a seborréia. Trata-se de uma descamação da pele, que pode estar muito oleosa ou muito ressecada. Em casos mais graves, pode causar falhas na pelagem. Para resolver o problema, o veterinário pode indicar mudança de alimentação e o uso de xampus específicos. Medicamentos à base de cortisona podem ser receitados.
Problemas cardíacos também podem ocorrer, segundo o presidente do DDC, Winfried Nouc. Há relatos de displasia coxo-femural (encaixe errado do fêmur na bacia, causando dores e dificuldade de movimentação), porém com pequena freqüência.
Outro ponto que deve ser observado pelos proprietários para evitar doenças é exercitar o Dogue adequadamente. Apesar do tamanho, ele não é dos mais ativos. Se não tiver áreas grandes para se exercitar por conta própria, precisa de caminhadas diárias de, no mínimo, meia hora. A vida muito sedentária é causa importante de obesidade e de problemas no coração. Banhos podem ser quinzenais. As escovações, quanto mais freqüentes, deixam o pêlo mais bonito e brilhante e tiram a sujeira superficial, nos intervalos entre os banhos. Mesmo tendo pêlo bastante curto, o Dogue adora ser massageado. Os ouvidos devem ser limpos com chumaços de algodão.


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