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Artigos sobre a Raça - Dogue Alemão

Arlequim

A experiência obtida em séculos de criação permitiu acumular informações simples mas muito úteis para quem gosta do Dogue Alemão, porém muitas vezes desconhecidas pela maioria das pessoas. As entidades especializadas na raça vêm tomando iniciativas importantes para popularizar esses conceitos.

O mais recente esforço vem do principal clube da raça no mundo, o alemão Deutsch Doggen Club (DDC), autor do padrão do Dogue Alemão adotado internacionalmente pela Federação Cinológica Internacional (FCI). A entidade passou a orientar de forma oficial, desde o início do ano passado, a não cruzar arlequins entre si. Seu presidente, Winfried Nouc, explicou a Cães & Cia que esse tipo de cruzamento gera alguns exemplares com cores indesejáveis, como totalmente brancos ou manchados de cinza. Pior é que os descendentes podem nascer cegos e surdos. Embora nem todos os filhotes sejam prejudicados, é bastante prudente seguir a nova orientação alemã, para evitar o nascimento de cães com problemas. A recomendação formal ainda não foi adotada por outros importantes clubes da raça no mundo, como o The Great Dane Club, da Inglaterra, e o Great Dane Club of America, dos Estados Unidos, nem tampouco pelos clubes brasileiros especializados.

Sabe-se que o aparecimento desses problemas é causado por um gene carregado por todos os arlequins, conhecido como "merle". Quando um exemplar tem dois genes merle dominantes, está sujeito a algumas possíveis conseqüências: as marcações pretas diluem e se tornam cinzas (às vezes tanto que ficam imperceptíveis sobre o fundo branco), eventuais olhos claros e, principalmente nos de pelagem mais clara, podem ocorrer casos de surdez e, com menor freqüência, de cegueira. Quando o cão tem um gene merle recessivo e um dominante, ou então apenas dois merle recessivos, não costuma apresentar nenhum desses males. O DDC estuda a relação entre cegueira e surdez em cem Dogues de cor arlequim, em conjunto com a Universidade de Giessen, na Alemanha. O clube também pesquisa as possíveis ligações entre a cor e outras doenças.

Os riscos do acasalamento entre dois arlequins já eram conhecidos pelos criadores mais experientes. "Já deixei de cruzar arlequins há muito tempo por conta própria pois verifiquei que apareciam filhotes brancos em maior quantidade e não é o que se deseja", revela Eliete da Costa Ara, do Canil Top Dog, em São Paulo. É interessante observar que existem três tipos de arlequins: o tradicional, que tem um fundo branco com manchas pretas; o Montado ou Boston, que tem uma grande área preta e "luvas", colar e focinho brancos; e o Plaqueado, que tem fundo branco e apenas duas ou três grandes manchas pretas, sendo a sua cabeça igual à do Boston. Só os arlequins tradicionais e os Plaqueados não podem ser cruzados entre si, nem com eles mesmos.

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